Seu ouvido não é apenas um sentido. É uma porta. Tudo o que você ouve entra sem pedir permissão: palavras, julgamentos, medos, reclamações, profecias alheias. Algumas chegam suaves, outras se repetem tanto que um dia param de soar externo e começam a falar por dentro. É por isso que se diz que o ouvido é um útero. Porque gesta. O que você permite que se repita no seu ambiente – o que você tolera, o que consome, o que você ouve enquanto diz “não acontece nada” – começa a tomar forma dentro de você. Primeiro como ideia. Depois como emoção. Depois como decisão. E finalmente como realidade. Muitas vezes não estamos vivendo nossa vida, mas sim a consequência de ter ouvido vozes demais que não eram nossas. “Assim é a vida. ” “Não é possível. ” “Isso não é para você. ” “É melhor não tentar. ” Nada disso nasce em você. Você aprende ouvindo. O problema não é ouvir. O problema é não filtrar. Assim como você cuida do que você come, você também deve cuidar do que entra pelos seus ouvidos. Porque há palavras que nutrem... e há palavras que intoxicam lentamente. Há conversas que expandem sua energia, e outras que, sem perceber, te encolhem. Ouvir é um ato criativo. Cada som que você deixa ficar está semeando algo. Por isso escolha com consciência quem você ouve quando estiver cansado, vulnerável ou sonhando algo novo. Escolha qual música vai te acompanhar. Que discursos normalizam. Que vozes você deixa fazer ninho na sua mente. Nem tudo merece ser gestado. Nem tudo merece nascer na sua realidade. Cerque-se de palavras que te lembrem de quem você é, não de vozes que te explicam por que você não pode ser. Procure sons que elevem, silêncios que curam e conversas que te levem de volta ao centro. Porque mais cedo ou mais tarde, sua vida falará a língua do que você ouviu durante anos. E então você entenderá que ouvir... também é criar.