Mais um álbum que vem pra seguir contando minha história na música. O que eu tô sentindo? Medo. Muito medo. Medo porque, após o Escândalo Íntimo e os escândalos íntimos que viraram minha vida de cabeça pra baixo, me mudaram quase que por inteiro. Eu não consigo mentir, até tentei esconder, mas não sou a mesma de antes e acho que nunca serei. Primeiro porque não acredito mais nas coisas como um dia acreditei. E por segundo, porque não quero voltar. Eu não sou a mesma de antes e nem nunca mais quero ser. Mesmo assim, me orgulho do que um dia fui e de tudo que consegui fazer. Eu segui em frente, porque é isso que a vida pede. É isso que o tempo me obriga a fazer. Às vezes sinto que o tempo me odeia. Eu poderia morrer agora e a vida seguiria. Eu já morri e a vida seguiu. Hora de trabalhar. Pelo menos pedi desculpas e desculpei, vivi, chorei e fiz chorar. Nesse próximo álbum, eu falo principalmente das coisas que sobram nessa fase da vida adulta. Me sinto muito desacreditada do mundo, mas não me importo porque com o tempo a gente entende que nada importa. Também me sinto mais calma e mais consciente. Tenho meus vícios, gosto de sexo, bebida, fumo às vezes, mas pouco, por conta da voz, e também não gosto do gosto que fica na boca. Não sou legal com muita gente, mas sou a melhor pessoa do mundo pra outras. Tento ser boa, mas às vezes sinto que a vida me implora pra ser ruim. Tenho minhas questões com a culpa cristã e nasci fruto de uma traição, quase que a igreja não me batiza. Tenham piedade de nós! Enfim… todos nós caímos do céu em algum momento. Quem somos nós pra julgar? A vida é assim, meio bruta mesmo, mas não deixa de ser um paraíso.